Jerome Cadier foi ao Ministério do Trabalho esclarecer o que uma coletiva de imprensa distorceu. A distinção que ele formalizou divide a aviação brasileira em dois grupos com destinos regulatórios diferentes.
Política de Turismo
~2 min de leitura
Em 18 de maio de 2026, Jerome Cadier, CEO da Latam Brasil, se reuniu com o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. A reunião foi convocada para desfazer o que ficou no ar após a coletiva de resultados do primeiro trimestre da companhia: a percepção de que a maior aérea do país estava preparando toda a sua operação para a extinção da escala 6×1. Cadier saiu do encontro com uma confirmação do próprio ministro e, logo depois, publicou um texto no LinkedIn para formalizar a posição da empresa. O ponto central era uma distinção que o debate público sobre o tema ainda não havia colocado em evidência.
A Lei do Aeronauta regula jornada, descanso e condições de trabalho de pilotos e comissários com base em critérios de segurança operacional. O modelo foi construído ao longo de décadas e não é intercambiável com a legislação trabalhista geral. Por isso, uma eventual extinção da escala 6×1 não alcança esse grupo da mesma forma que alcança o restante da força de trabalho brasileira. Cadier reforçou que a companhia considera essencial preservar o modelo atual e que o ministro Marinho garantiu pessoalmente que a regulamentação dos aeronautas não será alterada.
O que muda, segundo a Latam, é o regime dos aeroviários, os profissionais que atuam em solo. Para esse grupo, a empresa já prepara os ajustes operacionais necessários para uma eventual mudança na escala. A separação entre os dois regimes existe há décadas na lei, mas nunca havia sido colocada no centro do debate trabalhista com tanta clareza. A Latam foi a primeira empresa do setor a fazê-lo publicamente, com respaldo ministerial.
O custo, o prazo e o modelo de transição para os aeroviários seguem sem resposta pública. Outras aéreas terão de responder à mesma distinção à medida que o debate avança no Congresso. A Lei do Aeronauta saiu da semana fortalecida como marco regulatório. O que ainda está em aberto é quem absorve os impactos operacionais da mudança para os trabalhadores de solo e se o setor chegará a esse ponto com uma posição unificada ou fragmentada empresa por empresa.
Siga o NewsTur para acompanhar os desdobramentos do debate sobre a escala 6×1 na aviação brasileira.
Fontes: PANROTAS, 20 mai. 2026; LinkedIn de Jerome Cadier, 20 mai. 2026.



